OH BEA! | Eu não sou perfeita, e está tudo bem com isso!

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Questionei-me várias vezes sobre se publicaria este texto ou não. Questionei-me sobre o sentido das palavras enquanto as escrevia, e pensei, várias vezes, se isto faria sentido para vocês. Mas esta é a verdade: eu não sou perfeita! Muito menos exemplo para alguém. Mas está tudo bem com isso. E eu estou finalmente bem com isso! 
Durante tanto tempo martirizei-me pelo facto de não ser aquela rapariga perfeita que seguia nas redes sociais, de não ter aquela vida fantástica, ou de não ter isto e aquilo. Cedi inconscientemente à pressão que as redes sociais nos trazem todos os dias, que a sociedade nos implica a acreditar que só daquela forma iremos atingir a tão falada "perfeição", a tão procurada e desejada "felicidade". Mas não me culpo mais, não me atormento mais com todos estes pensamentos negativos e já não penso que preciso ter um corpo de "modelo" porque as pessoas poderão fazer piada do meu corpo.

Todos nós já tivemos momentos de ódio pelo nossos corpos. Detectamos imperfeições e despejámos as nossas qualidades no caixote do lixo. Graças à tradicional sociedade, temos a tendência de nos considerarmos incompletos, imperfeitos, impossibilitados. Lutamos para nos amar e somos informados de que não podemos amar as outras pessoas antes que possamos nos amar a nós mesmos. Dizem nos que temos de vestir umas calças 34 e usar um sutiã de copa 36B para ser-mos "perfeitas". Bem, tudo isso são puras mentiras que nos são implementadas desde que nos conhecemos por gente. 
A verdade é que nossos corpo é um monumento frágil, é pura arte. Ele leva-nos através das experiências que vamos passando e repassando, às quais chamamos de vida! E como praticamente tudo no mundo, também o nosso corpo está destinado a mudar, a evoluir, a degradar e a crescer. Estamos muito conscientes deste processo, estamos conscientes da mudança, e é por isso que temos uma coisa chamada “imagem”, e é o ridículo em torno dessa imagem, entre a maneira como nós nos olhamos e como queremos parecer, que ajuda a nossa ansiedade, a sociedade e o stress a dominarem a nossa auto-confiança. Os nossos corpos são únicos, então foda-se se nos sentirmos mal connosco mesmo por causa das imperfeições percebidas ou salientadas, por causa da imagem "não perfeita e aceitável" para a nossa sociedade. 
Neste momento da minha vida, olho-me ao espelho e aceito o meu peito pequeno, a minha barriga, as minhas estrias, o meu rabo não tão direitinho. Durante anos senti complexos com estas coisas, olhava para amigas e colegas e pensava no quão sortuda X era por ter uma barriga lisa, e no quão sortuda Y era por ter aqueles peitos grandes e redondos. E convencia-me de que isso era a perfeição, e de que era nisso que eu tinha de me tornar. Odiava-me, e não percebia o porquê, não conseguia perceber porque é que o meu corpo não tão "perfeito" não podia ser considerado um corpo bonito, no porquê de a minha barriguinha ter de ser lisa, no porquê de o meu peito ter de se tornar numa copa 36, no porquê de as minhas estrias e celulite terem de ser escondidas. Até perceber que esses porquês era eu que os estava a criar, era eu que me estava a impossibilitar, era eu que me estava a martirizar de algo que não tinha de ser martirizado. 
Estou a aprender a deixar de comparar o meu corpo ao que era há alguns anos, porque tudo o que isso faz é me fazer sentir negativa e insegura. As minhas curvas, pneuzinhos, estrias e tamanho dos jeans não devem ser motivo para me aborrecer, mas devem me deixar orgulhosa.  O meu corpo é perfeito porque é meu, é único para mim e só para mim. Quando passamos a ser bons para ele, e a trata-lo com amor e respeito, não há nada que não consigamos fazer por nós mesmos. Passei a maior parte dos meus anos a lutar com a imagem do meu corpo porque estava constantemente a comparar-me aos outros. Anos de "dietas", saltar refeições, treinos excessivos, não comer aquele desejado hambúrguer porque tem muitas calorias... tudo isto sendo infeliz. Agora, eu como o bendito hambúrguer sem arrependimentos e meu corpo mudou por causa disso? Sim. Mas eu amo-o mais do que nunca porque aprendi a nutri-lo não apenas com comida, mas com pensamentos mais positivos, com amor e auto-estima. Tudo que faço é tentar o meu melhor. Eu prometo a mim mesma que nunca mais me irei odiar por causa do que os outros vão pensar, até porque nós podemos ser o pêssego mais suculento da árvore, que sempre haverá alguém que não gosta de pêssegos. E está tudo bem nisso. 

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